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E a happy hour foi para dentro de casa

Se, para o consumidor, bares, restaurantes e praças de alimentação fechados significou uma profunda mudança de hábito, para os empresários do setor representou perda de receita, prejuízos acumulados e demissão de empregados.

O segmento de bares e restaurantes foi, certamente, um dos mais impactados pelas medidas de restrição impostas pela pandemia da Covid-19. A quarentena implantada em praticamente todo o País determinou o fechamento desses estabelecimentos, restando aos consumidores transferir a happy hour para dentro de casa.

Se, para o consumidor, bares, restaurantes e praças de alimentação fechados significou uma profunda mudança de hábito, para os empresários do setor representou perda de receita, prejuízos acumulados e demissão de empregados. De acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), desde o início da pandemia, em março, até o final do mês de maio, quando foram implementadas algumas medidas de flexibilização do isolamento social, cerca de um milhão de vagas foram fechadas.

Um termômetro de como o isolamento social impactou o comportamento das pessoas no durante e no pós-pandemia são os resultados da pesquisa realizada no fim de maio pelo instituto Opinion Box, especializado em soluções digitais para pesquisas de mercado. Com relação aos locais frequentados nos últimos doze meses, apenas 27% dos entrevistados afirmou ter ido a um drive-thru; no entanto, nada menos do que 66% (o maior índice apurado na pesquisa) pretende frequentar esse tipo de estabelecimento ainda neste ano. O alto percentual explica-se pelo fato de que, nessa modalidade, o nível de contato é baixo e, portanto, mais seguro nesses tempos de novo normal. No outro extremo, a praça de alimentação de shopping, lugar preferido por 67% dos entrevistados nos últimos doze meses, ficou em último lugar entre as opções de frequência ainda neste ano, com o índice nada baixo, é bem verdade, de 49%.

Novos tempos, novos hábitos

O levantamento também aferiu quais medidas, entre as diversas já apontadas como prováveis mudanças, influenciariam positivamente o consumidor na hora de escolher um bar ou restaurante para frequentar. Higienização constante de mesas, cadeiras etc. foi a opção escolhida, com 87% das respostas. Também foram avaliadas como positivas as medidas de disponibilidade de álcool em gel nas mesas (85%), funcionários com máscara (84%), boa ventilação no local sem ar condicionado (83%), espaçamento de pelo menos dois metros entre as mesas (81%) e limitação do número de clientes no local ao mesmo tempo (80%). Até mesmo a obrigatoriedade de o cliente levar seus copos e talheres teve alguma aceitação, 48%.

As medidas de cuidados e prevenção aceitas pelos consumidores certamente implicarão em aumento de custos para bares e restaurantes. A pesquisa do Opinion Box levantou essa questão junto aos entrevistados. Dentre eles, 70% afirmaram estar dispostos a respeitar um tempo máximo de permanência na mesa, de modo a estimular a rotatividade e evitar que os consumidores ficassem muito tempo no local sem consumir. A opção de retirar a comida no balcão como medida de redução de custo e também de prevenção à saúde, uma vez que o garçom não ficaria circulando pelo local com o prato, foi aceita por 68%. Para 60% dos entrevistados, os cardápios poderiam ter menor variedade de produtos, mantendo a qualidade e, ao mesmo tempo, diminuindo o estoque de alimentos. Com relação a pagar um pouco mais do que pagava antes da pandemia para poder ter a experiência de frequentar bares e restaurantes, apenas 38% concordaram.