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Kantar: Vendas de bens de consumo massivo têm crescimento histórico na pandemia

No mundo todo, as vendas dos bens de consumo massivo tiveram um desempenho histórico durante a pandemia. O consumo desses produtos dentro do lar quadruplicou para 10% globalmente em 2020, um aumento de US$ 220 bilhões em comparação a 2019. É o que revela o relatório Winning Omnichannel, produzido pela consultoria Kantar, que revela os hábitos de compra do mundo no ano que passou. O destaque na América Latina foi o crescimento do comércio eletrônico. As compras de bens de consumo massivo baseadas em aplicativos aumentaram 238% em relação ao ano anterior.
Segundo o relatório, a pandemia tornou os consumidores mais conscientes na limpeza, especialmente dentro de casa. De acordo com Lenita Vargas, diretora de Varejo Latam da Divisão Mundial de Worldpanel da Kantar, o setor de cuidados com o lar cresceu 9,8% em função do aumento da demanda gerada pelo foco em higiene e limpeza, combinado com o fato de que os consumidores passaram mais tempo em casa em 2020. Esse aumento levou alvejantes a um crescimento de 25%; limpadores domésticos cresceram 21%; lava-louças ou detergentes, 12%. Já os produtos para lavagem de roupas não foram impactados, justamente pelo fato de as pessoas saírem menos de casa, com as vendas globais permanecendo estáveis, após um crescimento modesto de 5% em 2019. Porém, não se pode afirmar que esses novos hábitos de limpeza se tornarão permanentes no pós-pandemia. No curto prazo, eles devem continuar a impulsionar o crescimento no setor de bens de consumo massivo.

América Latina
Globalmente, o comércio eletrônico foi o canal que mais cresceu: 45,5%, mais que o dobro em relação a 2019. Ganhou 1,6% de participação e agora representa 6,5% do mercado global total de bens de consumo massivo. Na América Latina, esse crescimento foi de 238% na comparação com o ano anterior, atingindo uma participação de 0,9% das despesas familiares em 2020.
No Brasil, embora o comércio eletrônico seja relativamente pequeno, o crescimento em 2020, segundo o relatório da Kantar, foi impressionante. Só no segundo semestre, foram criadas mais 18 milhões de novas ocasiões de compra. Essa performance deve-se, em parte, aos aplicativos de mensagens como o WhatsApp. Quase 40% dos compradores online usaram o aplicativo para fazer uma compra de bens de consumo massivo. A acessibilidade criada por esses aplicativos de mensagens democratiza o acesso às compras online no Brasil. Varejistas menores e tradicionais (que são mais proeminentes na América Latina do que em qualquer outra região) conseguem ter uma presença online utilizando essas ferramentas. Para os consumidores é uma alternativa para as compras online, uma vez que a posse de smartphones é maior do que a de computadores pessoais. As residências fora das áreas metropolitanas ganham uma opção de comércio eletrônico.
Já no ambiente físico, o canal que se destacou em 2020, impulsionado por sua relevância no Brasil, México e Argentina, foi o atacadista, seguido por supermercados independentes e minimercados.
Hoje, a dinâmica de compra mudou, com os consumidores abastecendo seus lares de forma diferente. No ano passado, houve um crescimento generalizado nas compras de despensa não apenas nos canais atacadistas, mas também no canal tradicional que, historicamente, era usado para as compras de conveniência. A mudança mais relevante é que, hoje, o abastecimento é 14% mais frequente, com menos itens adquiridos em cada compra. Em vários países, o consumidor conseguiu reduzir o seu tíquete.
Para Lenita Vargas, deverá haver uma desaceleração do crescimento do consumo em casa no âmbito global. “O aumento de 10% foi algo excepcional e, embora este ano seja provavelmente maior do que nos últimos anos, entre 2,2% e 5,2%, a variação dos resultados por região e setor será substancial, assim como a magnitude estará ligada à taxa de vacinação e relaxamento nas restrições de mobilidade, bem como à intensidade da crise econômica.”